Esmal - 21/10/2020 - 16:36:39
PCJE On-line discute a representação da pessoa negra nos meios de comunicação e racismo estrutural
''Nós temos uma estrutura que desde cedo coloca a pessoa negra numa situação de desvantagem", afirma o juiz Anderson Passos, que participou da transmissão com a jornalista Carolina Amâncio

Transmissão ocorreu no Instagram do TJAL e da Seduc, nesta terça-feira (20). Transmissão ocorreu no Instagram do TJAL e da Seduc, nesta terça-feira (20).
A representação da pessoa negra nos meios de comunicação foi o tema debatido na live desta terça-feira (20), no Instagram do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e da Secretaria de Educação do Estado (Seduc).  A transmissão voltada para estudantes da rede pública de ensino faz parte do projeto PCJE On-line, da Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal), e teve como palestrantes o juiz Anderson Passos e a analista judiciária e jornalista Carolina Amâncio. 

Durante a live, foram abordadas questões que afetam a representação do negro na mídia e o racismo estrutural presente na sociedade dos dias de hoje. ''Desde que eu era criança, eu percebo que as pessoas negras que são retratadas na televisão geralmente são empregadas domésticas, mulheres ?mulatas globeleza? e pessoas de classe social baixa. Tem todo um imaginário criado na nossa sociedade a partir dessas imagens televisivas. Temos que nos perguntar se essa imagem se deve a sociedade brasileira realmente ser composta por negros assim, ou se isso é um resultado do processo de colonização brasileiro e de 380 anos de escravidão'', disse a jornalista, que é responsável pela Assessoria de Imprensa da Esmal.

''Quando a gente fala de racismo e de representação da pessoa negra, eu quero ir além desse debate de ?vamos ver mais negros nas novelas, vamos ver a Maju Coutinho (apresentadora da rede Globo) apresentando jornal?. Sim, é importante que falemos sobre isso, mas também é importante que a gente perceba que tudo que acontece hoje, vem de outros momentos. Vem de uma coisa estruturada na nossa sociedade que faz com que as pessoas negras tenham menos oportunidade e menos acesso'', afirmou Carolina Amâncio.

Comentando sobre racismo estrutural, o juiz Anderson disse que durante sua formação de Direito, nos anos 2000, mesmo com a maioria da população brasileira sendo negra, não havia nenhum negro em sua turma. ''Nós temos uma estrutura que desde cedo coloca a pessoa negra numa situação de desvantagem. É muito importante que eu, como branco, reconheça que é um privilégio ser branco. Se nós não reconhecermos isso, não iremos ter a consciência da luta e da dificuldade que uma pessoa negra tem na nossa realidade social e de como nós temos que reparar esse desequilíbrio?, destacou.

Na próxima segunda-feira (26), o PCJE On-line promoverá a live ''Que diferença faz ser um leitor?'', às 16h, no Instagram do TJAL e da Seduc. Palestrantes serão o desembargador Tutmés Airan e a diretora da Biblioteca Geral, Mirian Alves. O projeto PCJE On-line é uma iniciativa Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE), que busca adaptar suas atividades para o formato virtual, oferecendo para os estudantes o debate de temas relevantes para a sociedade. Este mês, as artes para divulgação das lives do PCJE On-line farão alusão ao Outubro Rosa, movimento internacional de mobilização contra o câncer de mama.

Lucas de França - Esmal TJAL
imprensa@tjal.jus.br

 

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