Palestra 15/05/2017 - 16:52:12
Esmal promove palestra sobre afetividade e limites na criação de filhos em Maribondo
Cidadãos do município assistiram à palestra da juíza Juliana Batistela e conversaram com a psicóloga Kaanda Ribeiro sobre a importância do afeto na criação das crianças e adolescentes

Juliana Batistela falou sobre a qualidade do tempo que os cuidadores dedicam às crianças. Juliana Batistela falou sobre a qualidade do tempo que os cuidadores dedicam às crianças. Foto: Caio Loureiro

    O Poder Judiciário alagoano promoveu, nesta sexta-feira (12), na cidade de Maribondo, uma palestra sobre a “Criação dos Filhos – Deveres dos Pais, Direito das Crianças e a importância do afeto”. Realizado em parceria com o Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE) da Escola Superior da Magistratura (Esmal), o evento reuniu cerca de 200 pessoas no salão paroquial da Igreja Matriz de Maribondo. 

    Uma das participantes do encontro foi a dona de casa Lúcia Ferreira da Silva, que buscava aprender sobre a educação de crianças e a necessidade do equilíbrio entre afeto e disciplina. “Fico com os meus filhos durante todo o tempo em que eles não estão na escolinha, procuro dar bastante atenção. Com a palestra de hoje vou tentar reforçar esse cuidado”, observou dona Lúcia, ao mesmo tempo em que dava colo para Emily e Elaine, suas filhas de cinco e de sete anos. 

    A qualidade do tempo que os pais passam com as crianças foi um dos temas abordados pela magistrada Juliana Batistela, uma das palestrantes do encontro. Para ela, que atua na Comarca, a questão tem tudo a ver com o Poder Judiciário, pois “a criminalidade, a violência e a delinquência podem ser evitados se dermos mais atenção à infância. “O Estado não substitui a família, a escola também não, e é por isso que devemos conscientizar as pessoas do sublime papel que elas desempenham na formação de uma criança que está sob seus cuidados”, observou Batistela. 

    A segunda palestrante do dia foi a psicóloga Kaanda Barros Ribeiro. A profissional conduziu os pais e mães presentes em um exercício no qual eles foram orientados a relembrar o tempo em que eram crianças. Depois disso, os adultos foram convidados fazer uma auto-análise e avaliar se as experiências que estão proporcionando às crianças de quem cuidam estão sendo positivas ou se, mesmo sem querer, repetem comportamentos traumáticos ou dolorosos. 


 Kaanda Barros Ribeiro explorou as relações entre pais e filhos na sua dissertação de mestrado (Foto: Caio Loureiro)


  “Não existe um manual para cuidar dos filhos”, sentenciou Kaanda. “É essencial, contudo, que as pessoas saibam a importância da comunicação e dos limites. Trouxe para a palestra um pouco dos resultados da minha dissertação de mestrado, na qual abordo a importância da presença do pai na criação dos filhos, não só como provedor, mas como cuidador”, resumiu a psicóloga. Ela lembrou ainda que as funções paterna e materna  não são, necessariamente, exercidas somente pelo pai ou mãe biológicos. “Não é preciso sequer que haja um vínculo consanguíneo entre cuidadores e crianças, o mais importante é que haja referências e responsabilidade”, completou.

   José Edson da Silva, que é pai de três crianças, concorda com a psicóloga. A sua família passa por um período de reestruturação, após ele e sua esposa terem se envolvido com drogas. Há cerca de seis meses José Edson abandonou o vício em crack. Sua companheira, segundo ele, não conseguiu fazer o mesmo. 

    “Essa palestra me fez entender os problemas que meus filhos podem enfrentar por causa da situação de nossa família. Hoje eles são cuidados pela avó, mas vou buscar ser um pai mais presente e mostrar para eles que eles podem ser vencedores, como eu sou. Quero ser exemplo pra eles, pois o fato de eu ter conseguido me libertar de um vício tão grande deve fazer com que eles acreditem que também podem vencer qualquer coisa nessa vida”, relatou José Edson.

    Pais, mães, avôs, avós e outros responsáveis pelas crianças que frequentam as três escolas do município de Maribondo foram convidados para o evento. Para Ana Valéria Pitta, servidora do PCJE, essa parceria entre escolas e poder público é essencial. “Espero que outros magistrados nos procurem para fazer ações semelhantes em suas comarcas, mobilizando as famílias e as escolas das regiões onde atuam”, pontuou.

Carolina Amâncio - Esmal TJ/AL

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